REVISTA MERCADO AUTOMOTIVO | EDIÇÃO 248 | Por REDAÇÃO

Apesar dos diversos problemas vivenciados pelo Brasil em 2015, alguns setores produtivos do País garantem que o momento não é assim tão negativo. Para a Anrap (Associação Nacional dos Remanufaturadores de Autopeças), que congrega empresas do mercado de ?remanufatura de autopeças, a crise transformou-se em oportunidade.

Isto porque as empresas do setor já acreditavam e investiam numa ideia que pode ter sido o diferencial para muitas companhias seguirem no mercado, em diversos segmentos. Trata-se do reaproveitamento dos recursos, da reciclagem e do reuso dos materiais com o objetivo de reduzir gastos. 

Graças a essa estratégia, as empresas do setor conseguiram registrar um crescimento anual de 10%, participação de 6% no mercado brasileiro de reposição – com média anual de 2,6 mil toneladas de matérias-primas recuperadas – e investimentos maciços em 2016, com expansão acima da média do setor industrial.

“Não existe crise para o nosso segmento. Claro que enfrentamos dificuldades específicas, como as de logística e de tributação. Mas continuamos investindo. E entendemos que o conceito da remanufatura está em alta. Estamos conseguindo fazer o consumidor perceber a oportunidade que nossos produtos representam para a sustentabilidade global e o meio ambiente”, aponta Jefferson Germano, presidente da Anrap.

Além disso, a Associação destaca o expressivo ganho na área de legislação como fator que contribuiu para o cenário de crescimento. “A Anrap foi uma das incentivadoras do processo de promulgação da norma 16.290 da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)”, conta Germano. A norma em questão define os produtos em três categorias: remanufaturados, recondicionados e reparados.

Para a entidade, a medida foi importante para preencher a grande lacuna existente no mercado sobre a definição dos processos de reconstituição dos produtos usados. Germano recorda ainda a Lei do Desmanche, que, segundo ele, teve grande importância no fortalecimento do setor de remanutafura. 

“Quebramos paradigmas. Fizemos um trabalho de aproximação e relacionamento com esses grupos para mostrar que no mercado de autopeças há espaço para todos”, afirma o presidente da Anrap, que aposta alto para 2016. “Será um ano de mais trabalho. Temos que avançar nas questões tributárias e tecnológicas, melhorar os programas de logística reversa. Mas também vamos colher ainda mais resultados positivos”, finaliza.

Vale destacar alguns números do setor de remanufatura. Em nível global, os produtos remanufaturados correspondem a 16% do mercado pós-venda e a taxa média de crescimento anual é de 10%, de acordo com dados da International Remanufacturing Summit. Na América do Norte, região com perfil de consumo parecido com o do Brasil, essa participação chega a 20%.

Publicado por www.anrap.org.br

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