Distribuidora mineira começou a trabalhar com remanufaturados na década de 70 e a linha hoje representa 60% das vendas para frotas de pesados.

A remanufatura faz parte do DNA da Jepeças, distribuidora mineira de embreagens, amortecedores e motores de partida para a maior parte das empresas de transporte urbano e rodoviário, transportadoras e concessionárias de Minas Gerais e Rio de Janeiro. Com cinquenta anos de experiência no mercado de autopeças, a empresa trabalha com produtos remanufaturados desde 1972, quando a fabricante SACHS iniciou o programa pioneiro de embreagens remanufaturadas no Brasil. A decisão de entrar no segmento remanufaturado de fábrica veio em boa parte da necessidade de ampliar a qualidade dos produtos já oferecidos pelo mercado.

“O remanufaturado de fábrica naquela época era uma novidade, uma inovação. E trazia uma importante mudança de cultura, uma vez que a reforma artesanal de embreagens da linha pesada já era uma realidade de mercado, porém, sem qualquer controle de qualidade e garantia”, relembra Humberto Arantes, sócio-proprietário da Jepeças, com experiência de 30 anos no setor.

Distribuidora exclusiva da SACHS, a Jepeças reconhece como principais benefícios alcançados nestes 44 anos trabalhando com produtos remanufaturados a oferta de produtos de qualidade e seguros, e a ampliação do portfólio para clientes que necessitavam de custos inferiores com a manutenção de suas frotas. “Com o remanufaturado conquistamos uma outra parcela de clientes que buscavam esse produto com valor mais acessível”, explica Arantes.

O executivo destaca a relevância conquistada pela remanufatura nas últimas décadas, lembrando que atualmente, diante do momento de crise enfrentado pelo mercado automotivo, os remanufaturados respondem por 60% das vendas para o setor de frota pesada (caminhões e ônibus) da distribuidora. “O produto remanufaturado deixou de ser visto com desconfiança, os grandes fabricantes passaram a enxergar o setor. Temos hoje um produto consolidado”, enfatizou.

Arantes acredita, no entanto, que ainda há possibilidade de maior expansão e visibilidade para o segmento, especialmente se houver uma maior diferenciação de preços entre o produto remanufaturado e o novo a partir de uma revisão tributária, pois os impostos que recaem sobre o remanufaturado são os mesmos de uma peça nova, o que impede que o produto remanufaturado possa, em alguns momentos, desenvolver uma maior competitividade. “Acredito que essa relação pode ser ainda melhor se houver um complemento na linha de produtos remanufaturados, mantendo-se, é claro, a constante preocupação com a qualidade, mas garantindo uma distância maior de preços entre o remanufaturado e o produto novo. Os impostos que recaem sobre o remanufaturado são os mesmos de uma peça nova, isso impede o crescimento”, comentou.

Em contrapartida, o executivo reconhece como fatores que facilitaram a expansão do segmento o avanço da visão de logística reversa e uma maior conscientização ambiental, em especial, nos últimos anos. No caso da logística reversa, ele destaca que o processo faz parte do sistema de produção de remanufatura da SACHS: os pedidos de remanufaturados são casados, feitos exclusivamente a partir do número de peças devolvidas à fábrica mensalmente.

“Remanufaturar é um método de grande responsabilidade, é obrigatório atender a todas as especificações do produto original para garantir a qualidade e vida da peça. E significa economizar energia e recursos naturais que certamente implicarão em redução de custos e ganhos para a empresa, para o cliente e também para toda a sociedade”, conclui.

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