Cerca de 65 bilhões de toneladas de matérias-primas são despejadas anualmente no sistema produtivo mundial. As expectativas são de que esse número chegue a 82 bilhões de toneladas até 2020, segundo relatório da Ellen MacArthur Foundation. Além disso, todo ano são geradas 1,3 bilhão de toneladas de lixo, número que deve crescer para 2,2 bilhões até 2025, segundo as estimativas do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma). A gestão de resíduos e o descarte correto de materiais se torna cada dia mais imprescindível para que o mundo caminhe para um desenvolvimento sustentável.

Nesse cenário de crise de recursos, em busca cada vez maior por processos de reutilização de produto e desenvolvimento sustentável, o processo de remanufatura no setor automotivo torna-se ainda mais fundamental. A remanufatura de autopeças surgiu no país há décadas, quando as próprias fabricantes do setor identificaram que alguns componentes eram reparados por até cinco vezes antes de serem substituídos definitivamente. Na maioria das vezes, a reparação era feita sem qualquer tipo de padrão tecnológico ou procedimento estruturado.

Diante disso, quatro fabricantes se uniram numa tentativa de organizar o aftermarket de peças usadas remanufaturadas no Brasil. Criaram uma associação, a ANRAP, e começaram a remanufaturar os produtos dentro de suas instalações para estender a vida útil das peças e retorná-las ao mercado com características de produtos novos: atualizações tecnológicas de fábrica e garantia de origem e procedência. 

Hoje, o segmento de remanufatura de autopeças no Brasil recupera cerca de 2,6 mil toneladas de matérias-primas anualmente, entre alumínio e ferro. Cresce a uma taxa anual de 10% e tem uma participação de mercado de 6%.

Novo de novo – O processo de remanufatura é totalmente realizado nas instalações do fabricante original da peça. Assim que uma peça usada é retornada à fábrica por um usuário, ela é desmontada, limpa e passa por uma rigorosa inspeção. Com base na peça original, o fabricante verifica o que precisa ser feito para que a peça volte a ter as mesmas características de um produto novo. Neste procedimento, pode ser necessária a adição de itens novos e originais. Logo após a montagem do produto são feitos testes para garantir a conformidade com todas as especificações de qualidade de produção.

Todo esse processo é que garante os principais diferenciais das peças remanufaturadas: menor custo, qualidade, garantia e sustentabilidade. “O veículo que usa o remanufaturado tem uma manutenção mais barata, segura e contribui para a preservação ambiental – já que o processo de remanufatura ajuda a reduzir consumos de matérias-primas, água, energia elétrica, emissão de gás de efeito estufa e resíduos na cadeia produtiva”, resume o presidente da ANRAP e gerente de aftermarket da Knorr-Bremse para o Brasil e América Latina, Jefferson Germano.

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